domingo, 8 de agosto de 2010

Ontem


Brincava sozinha no Jardim
Gostava de passar um tempo com as flores
Pensando em outros lugares em que poderia estar.
Tinha algumas manias estranhas de pensar nos outros
E sentir a dor deles
Quando ela cresceu agnóstica e cética,
Mas, ainda naquele tempo
Rezava todas as noites pelas criancinhas do mundo inteiro
Que não tinham tido a mesma sorte que ela
De ter uma cama para dormir
Era coisa de criança..
E se escondia até a pontinha do nariz
O cobertor mágico
Protegia dos monstros do escuro
Malditas criaturas noturnas
Saiam dos lugares que a luz do corredor não alcançava
Não gostava de dar descarga
Sentia-se mal pelo planeta
Juntava pelo menos três xixis
Até apertar o botão da enxurrada sem tanta culpa
Sua mãe achava o cúmulo
Tinha pavor de bonecas,
Mas que coisa chata, imóvel
Que de forma tão barata imitava a vida humana por um preço absurdo
Ela tinha sete anos
E gostava de andar descalça
Copa da árvore é sempre um lugar que todo mundo se esconde
Antes de crescer ia ser cawgirl
A balança no fundo de casa
Transformava-se em, Relâmpago, seu fiel cavalo
Preto e muito veloz
As cadeiras da varanda
Um cobertor por cima delas
E estava pronto seu forte secreto
Geralmente era assim que passava as tardes
Vendo da janela a tia Fátima preparar o café..
E em meio a um lápis de cor e outro ainda pensava que
Toda a sabedoria do mundo bem poderia ser restrita a poucos
E guardada num potinho de Pomarola
A tão pouco tempo ainda brincava
Mas isso foi ontem.

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