
Brincava sozinha no Jardim
Gostava de passar um tempo com as flores
Pensando em outros lugares em que poderia estar.
Tinha algumas manias estranhas de pensar nos outros
E sentir a dor deles
Quando ela cresceu agnóstica e cética,
Mas, ainda naquele tempo
Rezava todas as noites pelas criancinhas do mundo inteiro
Que não tinham tido a mesma sorte que ela
De ter uma cama para dormir
Era coisa de criança..
E se escondia até a pontinha do nariz
O cobertor mágico
Protegia dos monstros do escuro
Malditas criaturas noturnas
Saiam dos lugares que a luz do corredor não alcançava
Não gostava de dar descarga
Sentia-se mal pelo planeta
Juntava pelo menos três xixis
Até apertar o botão da enxurrada sem tanta culpa
Sua mãe achava o cúmulo
Tinha pavor de bonecas,
Mas que coisa chata, imóvel
Que de forma tão barata imitava a vida humana por um preço absurdo
Ela tinha sete anos
E gostava de andar descalça
Copa da árvore é sempre um lugar que todo mundo se esconde
Antes de crescer ia ser cawgirl
A balança no fundo de casa
Transformava-se em, Relâmpago, seu fiel cavalo
Preto e muito veloz
As cadeiras da varanda
Um cobertor por cima delas
E estava pronto seu forte secreto
Geralmente era assim que passava as tardes
Vendo da janela a tia Fátima preparar o café..
E em meio a um lápis de cor e outro ainda pensava que
Toda a sabedoria do mundo bem poderia ser restrita a poucos
E guardada num potinho de Pomarola
A tão pouco tempo ainda brincava
Mas isso foi ontem.
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