terça-feira, 16 de agosto de 2011

Cronos

Mas como é difícil encarar os fatos e vou além, como é difícil encarar como o tempo resolve os fatos e ata as mãos dos imediatistas perante as situações que não podem ser resolvidas momentaneamente.
A luta contra esse fortíssimo oponente é diária, quando se quer resolver as coisas na hora muitas vezes o tempo não permite, faz com que a vida vá acontecendo como cheques pré-datados, sabemos que eles estão ali e um dia vão cair mas caem na data certa e ainda correm o risco de serem sustados.
É complicado demais depender de uma coisa tão efusiva e incerta como o tempo e não tem conversa, nem como persuadi-lo ou compra-lo, num curto espaço de tempo tanta coisa muda e nada se pode fazer além de se tornar espectador e assistir o tempo encenar a vida num palco só dele.
Como é frustrante ser diretamente dependente do tempo, basta um tic-tac do relógio e todos os verbos já estão no passado, por isso insisto, o relógio é uma maneira desesperada e ineficaz de tentar controlar o tempo, é um controle parcial e como diria Shakespeare, o tempo é muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam, mas, para os que amam, o tempo é eterno.
Não importa o que indiquem os ponteiros do relógio, o tempo é fatalmente relativo.
É a maneira mais fácil de perceber nossa insignificância perante o universo, o tempo simplesmente se vai de nós, sem consentimento, sem licença e sem dizer adeus.
Aprender a usá-lo a nosso favor é uma fina arte, uma coisa humanamente impossível para quem tem impulsividade inata e não importa quanta força se tenha para combate-lo, tempo não te combate, se aproveita, é essa nossa única certeza, o tempo nos consumirá.
Ele em sua face de devastador nos tira muita coisa, de familiares a amores e leva aos poucos nossa juventude e mesmo com toda essa crueldade em sua outra face nos permite deixar as amarguras com ele mesmo, no tempo passado, dando-nos a oportunidade de conquistar e realizar.
Não há cura certa pro que ficou no passado e mesmo que houvesse, já passou.
O presente, é realmente presente, é um mimo do tempo para conosco como forma de nos recompensar todo o martírio, é a possibilidade de reescrever o que ficou no passado e de permitir o futuro.
O jeito é fazer como Mário Lago, um acordo de coexistência pacífica com o tempo, nem ele nos persegue, nem nós fugimos dele, um dia nos encontraremos.

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